
Meu pai sempre foi fã das fotos. E nós, os filhos, éramos as cobaias nas fotos de meu pai. Tudo virava motivo para ele ir tirando a câmera e pedir por um sorriso - mesmo que a gente não quisesse sorrir. Hoje, ele diz todo orgulhoso que minha irmã mais velha, quando tinha menos de seis meses, possuía mais de quinhentas fotos. É um feito impressionável, de fato. O que me ocorre é tentar imaginar o que meu pai fazia enquanto não estava tirando fotos ou revelando as já tiradas.
Nas fotos de infância, eu vejo as festas de aniversário, os bolos e balões, as amizades que não tenho mais contato. Mas nada de meu pai. Eu imagino que, por trás das lentes, deve ser tudo muito sozinho. Enquanto as pessoas sorriem e choram, andam e fazem pose, o fotógrafo sempre fica com os dedos a postos esperando focalizar os rostos.
Eu tentei avisar para ele que tem coisas que a câmera não captura, mas creio que o flash já o cegou.
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