quinta-feira, 6 de março de 2014

bach também treme o bumbum

Eu gastei duas horas escolhendo roupa, andei lentamente quase quatro quarteirões para chegar no bar menos soado e paguei dez reais em uma bebida que consistia em metade gelo e duas gotas de vodca para, então, ter que ver alguém posar sua intelectualidade com "eu não assisto televisão".

A história: em uma mesa de desconhecidos, não restou outra alterativa para conversa que não comentar sobre um seriado qualquer que passava no SBT. Foi neste momento que um dos participantes revelou não assistir televisão - não era tanto uma constatação, mas mais uma declaração que pretendia deixar implícita: "eu não assisto televisão, pois tudo nela me subestima".

Algumas reações podem dimensionar a questão:
1. Herege.
2. Qualquer entrevista estonteante da Susana Vieira demonstra claramente o contrário.
3. Um discurso do Pedro Bial sobre como estar alienado dos programas de auditório não é pressuposto de sabedoria. Para concluir você poderá analisar a amplitude do conceito de inteligência - que por vezes é confundido com capacidade de absorver e decorar informações. Não que tudo e o tempo todo na frente do aparelho seja proveitoso, mas seria desconsiderar o poder de observação e crítica dos outros espectadores. O problema deste discurso do intelecto é reduzir o bom gosto ao meu gosto.

Eu só não levantei e fui embora, pois já tínhamos pedido uma porção de batatas fritas e eu teria de pagar de qualquer jeito.